sábado, 3 de julho de 2010

dia 4.2

Por pouco não esqueço de contar uma passagem importantíssima da viagem. Pela noite, em Tel Aviv, nós recebemos um jornalista brasileiro que mora em Israel há seis anos e é correspondente pro Brasil. Seu nome é Gabriel Toueg e atualmente trabalha para o Terra. A conversa foi esclarecedora em muitos pontos, principalmente quando se trata do outro lado da história nos conflitos entre Israel e seus vizinhos. E nós sabemos: sempre há dois ou mais pontos de vista. Infelizmente, a mídia brasileira não esta interessada em tudo isso, mas Gabriel me mostrou outra deficiência nessa comunicação: o próprio Estado de Israel.

Para ele, o que falta não são jornalistas judeus na mídia para falarem bem de Israel, falta sim o país se preocupar com a imagem que está passando. Ele relatou diversas dificuldades para falar com as autoridades e nos contou que não há muito esforço em divulgar as possíveis razões para ataques, defesas, invasões e etc.

Quanto a mídia brasileiras que, também sabemos, é sensacionalista, Gabriel afirmou que falta entender a importância do Oriente Médio e que, além disso, os próprios brasileiros em sua maioria não tem interesse em notícias sobre a região e seus conflitos. Mas apesar disso tudo, o jornalista não tirou a responsabilidade dos colegas de trabalho. "Tem coisas mais importantes para dizer. Sentimos um anti-israel muito forte e não há boa vontade de procurar outras versões", disse.

A sugestão que ele deixou para quem quiser se informar melhor sobre acontecimentos é ler o jornal Haaretz, que tem versão em inglês. Outra dica que deixo a vocês é ler uma carta escrita por uma soldada daqui que pude conhecer e conviver chamada Ana sobre a interceptação de Israel ao barco turco que ia para Gaza. Ela  é média do exército e estava presente. O texto na íntegra pode ser lido neste blog.

Durante a conversa pude perceber que, além de ser uma democracia, a liberdade de expressão é forte por aqui. Árabes e judeus tem os mesmos direitos e por isso Israel tem representantes árabes no parlamento que são contra o Estado. Não sei se todos sabem mas hebraico e árabe são as línguas oficiais daqui. Isso faz com que todas as placas tenham as duas línguas, além do alfabeto romano.

Enfim, aos poucos vou aprendendo muito e mais. Coisas que eu realmente não fazia idéia. Apesar de terem que conviver com a guerra no dia-a-dia e terem se acostumado com isso, Israel é sim um país comum e que vive tão tranquilamente como nós. Aliais, eu arriscaria dizer que no dia-a-dia, vivem até mais tranquilos do que nós. Quem foi que disse que a violência no Brasil também não é uma guerra cotidiana?

Um comentário:

  1. Lica, fico contente de saber que gostou da conversa e que ela serviu para esclarecer! Missão cumprida! Foi sua primeira vez em Israel? Qual o balanço dos 10 dias?

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