Por pouco não esqueço de contar uma passagem importantíssima da viagem. Pela noite, em Tel Aviv, nós recebemos um jornalista brasileiro que mora em Israel há seis anos e é correspondente pro Brasil. Seu nome é Gabriel Toueg e atualmente trabalha para o Terra. A conversa foi esclarecedora em muitos pontos, principalmente quando se trata do outro lado da história nos conflitos entre Israel e seus vizinhos. E nós sabemos: sempre há dois ou mais pontos de vista. Infelizmente, a mídia brasileira não esta interessada em tudo isso, mas Gabriel me mostrou outra deficiência nessa comunicação: o próprio Estado de Israel.
Para ele, o que falta não são jornalistas judeus na mídia para falarem bem de Israel, falta sim o país se preocupar com a imagem que está passando. Ele relatou diversas dificuldades para falar com as autoridades e nos contou que não há muito esforço em divulgar as possíveis razões para ataques, defesas, invasões e etc.
Quanto a mídia brasileiras que, também sabemos, é sensacionalista, Gabriel afirmou que falta entender a importância do Oriente Médio e que, além disso, os próprios brasileiros em sua maioria não tem interesse em notícias sobre a região e seus conflitos. Mas apesar disso tudo, o jornalista não tirou a responsabilidade dos colegas de trabalho. "Tem coisas mais importantes para dizer. Sentimos um anti-israel muito forte e não há boa vontade de procurar outras versões", disse.
A sugestão que ele deixou para quem quiser se informar melhor sobre acontecimentos é ler o jornal Haaretz, que tem versão em inglês. Outra dica que deixo a vocês é ler uma carta escrita por uma soldada daqui que pude conhecer e conviver chamada Ana sobre a interceptação de Israel ao barco turco que ia para Gaza. Ela é média do exército e estava presente. O texto na íntegra pode ser lido neste blog.
Durante a conversa pude perceber que, além de ser uma democracia, a liberdade de expressão é forte por aqui. Árabes e judeus tem os mesmos direitos e por isso Israel tem representantes árabes no parlamento que são contra o Estado. Não sei se todos sabem mas hebraico e árabe são as línguas oficiais daqui. Isso faz com que todas as placas tenham as duas línguas, além do alfabeto romano.
Enfim, aos poucos vou aprendendo muito e mais. Coisas que eu realmente não fazia idéia. Apesar de terem que conviver com a guerra no dia-a-dia e terem se acostumado com isso, Israel é sim um país comum e que vive tão tranquilamente como nós. Aliais, eu arriscaria dizer que no dia-a-dia, vivem até mais tranquilos do que nós. Quem foi que disse que a violência no Brasil também não é uma guerra cotidiana?
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Lica, fico contente de saber que gostou da conversa e que ela serviu para esclarecer! Missão cumprida! Foi sua primeira vez em Israel? Qual o balanço dos 10 dias?
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